segunda-feira, 30 de junho de 2008

Lynch me contou

Ele raramente tinha pesadelos e quando tinha acreditava que algo bom estava por vir.
Deitou-se num dia qualquer de uma semana qualquer.
Falo isso porque não acredito que há uma semana mais longa que a outra como ele me disse.
Não era dia nem noite. Era um crepúsculo constante que já deveria ter passado.
Numa lanchonete ele me contou que sonhara com um homem terrível e que eu estava no sonho. Ficou tão nervoso ao me contar que nem tocou no lanche.
Contou-me que este pesadelo foi o pior de todos e que, se visse o homem do sonho em alguma esquina teria no mínimo um desmaio.
Não foi bem assim.
No fundo eu queria rir de todo aquele terror inexplicável, mas sei que isso não se deve fazer, pois o medo nos espreita e ataca em momentos banais.
Creio que por alguns instantes o deixei falando sozinho, pois me distraí com uma loira de profundas olheiras que exalava ódio como nunca vi antes em uma mulher. Conversava com um cara bem suspeito que olhei de relance.
Aquela situação me parecia familiar, mas não era um déjà vu, no entanto eu sabia para onde olhar e o que encontrar, mas foi o que não encontrei que me intriga.
Não encontrei meu amigo na mesa.
Para onde ele foi?
De pé, ao lado do caixa ele olhava para a loira.
Tudo muito familiar.
Ela parecia estar com medo e parecia não me ver, pois olhava “através de mim”.
Estou dentro de um pesadelo – pensei – um sonho que não é meu.
A qualquer momento o homem horroroso pode surgir.
Olhei novamente para o acompanhante da loira e deparei-me com minha figura.
Meu susto o fez rir malignamente.
E meu amigo eu mal reconheci tamanha a deformação que o horror lhe provocou.
Com esta expressão ele me contou toda a história.

Um comentário:

Lyca disse...

Essa cena sim "eu já vi"