sábado, 24 de maio de 2008

Um sábado

Mamãe não gostou das máquinas barulhentas que chegaram para asfaltar a rua de manhã bem cedo. Como eu já estava acordado não reclamei tanto, sabia que viriam. Barulho não é novidade na minha rua.
Sem bom nem mau humor segui para o banheiro como sempre e tomei um banho frio para me despertar. Tomei café, pois sempre acordo com fome. Voltei para o quarto para trocar de roupa. Abri a janela. Bem na minha direção havia um homem. O operador da máquina barulhenta. Gotas de suor escorriam pelo seu rosto. Gotas de água escoriam dos meus cabelos molhados. A sua expressão compenetrada na manobra da máquina. A minha atenciosa aos seus movimentos. Não conseguia fechar a janela, nem desviar o olhar, nem deixar de desejar que ele me visse. Porque eu já estava vendo a calça jeans justa e bastante suja, a camiseta regata gasta, o braço tatuado, a barba mal feita, a pele queimada e, provavelmente, áspera. E o máximo que ele veria seria o meu rosto de menino e meu corpo esguio coberto por uma toalha ensopada que não estava mais me contendo, se é que me faço entender.
O meu dia começou assim.
E até agora esta foi a melhor parte.

Um comentário:

L... disse...

Eu me fiz entender...
:D
Magnífico!!