sábado, 27 de junho de 2009

Breve depois



Não é muito apegado à própria carne, mas gosta de compensar o tormento mental com exercícios de sadomasoquismo.
O corpo não tem marcas e parece estéril. Mas só a alma o é.
Um psicopata, dizem. Mas ele não está à procura de vítimas.
Vítimas o procuram e já sabem que são vítimas.

É educado e sério.
Tudo que é bom e ruim ele os tem em sonhos.
Ninguém sabe do que gosta ou do que detesta.
Aliás, parece gostar do sofrimento puro.
Fascínio pelo sombrio, pelo silêncio, pelos animais tristonhos.
Alguma beleza o cerca os traços.
Como se o acabamento dos contornos tivesse um medo de lhe chegar ao rosto.
Deixando apenas o selvagem do homem.
Eu o conheci na rua.
Fez um sinal com a cabeça e eu fui.
Sei que não deveria.
Mas eu já o observava com minha luneta.
Somos vizinhos de prédio.
Eu o vejo dar milho aos pombos na janela.
Eu o vejo tomar um banho demorado.
Tão demorado que muitas vezes eu mesmo não suporto observar e observar com a boca aberta e a mão dentro da cueca.
A mão que me satisfaz agora que nos despedimos.
Agora que ele provou (e marcou) minha carne é provável que não mais me queira.
Nunca o vi repetir parceiro.
E seu nome ainda não sei.
Foto: Sweet Distin (flickr.com)

4 comentários:

Mari Araujo. disse...

p.. q p...!!!
ainda ñ consegui tirar o olho dessa bunda...^^

ainda nem li o texto.. adoro foto em p/b... acho um charme!!!!!!

Mari Araujo. disse...

UUUuuuuuuuuuuuuuuui delícia de "conto"...

Putz... fiquei imaginando a cenaa...

Lyca disse...

Também fiquei imaginando a cena da mão dentro da cueca...

Eloiane disse...

Sentir o prazer da carne nesse momento!!!