segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Besouros da Amazônia

Um deles trazia nas mãos um coco que não estava furado. E não havia um instrumento que ajudasse ali, no meio do nada. Quando cheguei perto da ponte vi um enorme prego cravado não inteiramente na madeira. Com força bati o coco contra o prego e abri um furo perfeito.
A água parecia infinita. Que bom!
Era tão visível a ressaca deles que parecia ser capaz de me invadir. Estávamos todos perdidos e sabíamos. Não adiantava ter pressa sob aquela paisagem. O rio que dividia a estrada. E que abria caminho e possibilidades de vida e morte sob ou sobre a perigosa ponte. 
O mato sempre com algum rastro humano anunciando um perigo maior. 
Nós três sem mais nada pra fazer a não ser refrescar o que havia de mais quente no corpo.
No meu caso foi preciso mergulhar as coxas inteiras e deixar que a água batesse no ponto onde elas se unem às nádegas cabeludas que nada lembram as de um indígena. Causando um efeito de maior invasão no território. Os dois suspeitos se aproximam e eu sei que se acertar o coco, com força, bem na cabeça do suspeito número 2, ele perderá rapidamente os sentidos. Mas o que fazer com o outro? O que fazer se ele surtar como um macaco irritado? Ele tem mesmo um olhar símio, percebo intrigado e avanço para o fundo molhando de vez a cueca. O suspeito número 1 se levanta de sua posição de homem-das-cavernas-fazendo-fogo e meu olhar não desvia de sua ereção propositalmente indiscreta. Minhas pernas então se movem com dificuldade em meio a uma correnteza invisível. Sou ligeiramente arrastado. Ele vê que preciso de ajuda e vem, pulsando cada vez mais. Ele vem me buscar ou me afogar de vez aqui? De repente aquela clareira parece dar voltas quando os pés dele tocam os meus e sobre a linha da água o calor do sangue vence qualquer pudor e exige nossa união num abraço nervoso e úmido.
A língua volumosa e ágil me sufoca e penso que aquilo é a forma mais doce de me matar. Pois as forças e técnicas de estrangulamento pertencem a ele, eu sei, me disseram, foi ele. Mas a morte não chega. Então me resta permitir que o prazer penetre entre meus pelos mais inconvenientes. 
De perto sou observado pelo olhar vago do suspeito número 2. Levemente estrábico. Estranhando que um homem possa se unir tão intimamente a outro. Parece louco para me enfiar um dedo já que o pau não não fica duro. Aproxima-se sob o olhar convidativo do suspeito número 1. Ele também gosta de lamber, percebe minha orelha.
Na margem meus joelhos já estão machucados pelas pedras sob a água rasa e cada vez mais turva. O suspeito número 2 já se encontra com a língua trêmula no meio da minha bunda, arfando ruidosamente, enquanto o suspeito número 1, de pé, me sufoca pela segunda vez segurando minhas orelhas febris de desejo. O prazer é tanto que chego a puni-lo com os dentes enquanto ele sussurra seu palavreado baixo olhando pra cima e, por vezes, com fúria para baixo, para os meus olhos lacrimejantes. 
Tão embriagados estão que não notam ao longe o ronco de um motor. A pickup é rápida e em segundos encosta ao lado do meu carro atolado. As roupas são vestidas às pressas e naquele momento não notamos a maravilha que nos foi privada.

Pai e filho nos oferecem ajuda e não consigo sentir alívio ao ver o carro sair do atoleiro. Apenas raiva. 

Nenhum comentário: